Caminhada histórica pela Recoleta traz um pouco de Paris em Buenos Aires


A máxima a ser seguida por quem vai a Buenos Aires é colocar um sapato confortável e caminhar. A maioria das ruas e avenidas da cidade é plana e super arborizada. O visual mescla o moderno e o tradicional, com um charme único. Um dos passeios imperdíveis é conhecer o lado histórico do bairro Recoleta – a pé, claro.

A Recoleta é um pedacinho de Paris em Buenos Aires. Suas grandiosas mansões, jardins e parques em estilo francês comprovam a afirmação, frequentemente repetida pelos fãs do bairro. Durante as epidemias de cólera e febre amarela na década de 1870, a população da cidade se dividiu para evitar o contágio. As classes populares se instalaram na zona sul, enquanto os mais endinheirados se estabeleceram na Recoleta – a altura do terreno ajudava a reduzir a incidência de insetos. E foram essas famílias que consagraram a arquitetura da região.

A caminhada começa na Plaza Cataluña. No cruzamento das ruas Cerrito e Posadas há um charmoso bulevar que reúne um café, um restaurante e o Four Seasons. O luxuoso hotel mantém atrás da construção moderna da torre principal o Palacio Alzaga Unzué, de 1916. O casarão hoje é conhecido como 'La Mansión e reúne suítes exclusivas reservada por hóspedes ilustres. Esse é o ponto de partida do passeio histórico pelos palácios e mansões da Belle Époque - era de beleza e inovação nos países europeus entre o final do século 19 e o começo do século 20, que também inspirou a arte e a arquitetura de Buenos Aires.

Seguindo pela Cerrito, a um quarteirão dali está a Embaixada da França, instalada no Palacio Ortiz Basualdo, de 1912. O edifício já foi residência de Eduardo VIII, príncipe de Gales, em 1925, e em 1939 passou a pertencer à França, que ali instalou sua embaixada. Na década de 70, durante as obras de ampliação da Avenida 9 de Julio pelo governo peronista, a construção quase foi demolida, mas foi salva pelo esforço do governo francês.

Na esquina da avenida Alvear com a rua Arroyo, às margens da Plazoleta Carlos Pellegrini, está a Embaixada do Brasil. Desde 1945, os embaixadores brasileiros na Argentina têm como residência o Palacio Pereda, construído inicialmente pelo arquiteto francês Luis Martin e finalizado pelo belga Julio Dormal, em 1920. A obra foi feita sob encomenda de Celedonio Pereda, que desejava uma casa ao estilo do Museu Jacquemart-André, de Paris. A semelhança está não apenas na arquitetura exterior, como na coleção de móveis, objetos, pinturas, esculturas e no jardim. Em 1989, o governo brasileiro realizou um trabalho de restauração das obras do pintor espanhol José María Sert, compradas por Pereda nos anos 30 e que até hoje enfeitam o piso principal do palácio. Do outro lado da rua está o Palacio Unzué de Cáceres, projetado pelo arquiteto italiano Juan A. Buschiazzo, e que desde 1960 abriga a sede do Jockey Club Argentino.

Paixão arquitetônica

A avenida Alvear é uma das mais exclusivas da cidade e em apenas sete quarteirões reúne prédios residenciais de luxo, lojas de grifes famosas, galerias de arte e palacetes históricos. Ao número 1637 está a Nunciatura Apostólica, em um palácio de 1909. Ao lado fica o Park Hyatt Hotel, que mantém a fachada curvilínea do Palacio Duhau, construído pelo arquiteto francês Leon Dourge, em 1934. Contrastando com o estilo clássico, a mansão vizinha ao hotel é a neogótica Residencia Maguire, de 1890, que também pertenceu à família Duhau e foi declarada Monumento Histórico Nacional em 2002. Em frente está outro prédio neogótico, o Palcio Casey, que abriga a Secretaria de Cultura de la Nación. Na quadra seguinte está a Casa de las Academias Nacionales, a Academia Nacional de Ciencias Económicas e a loja da Polo Rauph Lauren, instalada em outro monumento tombado e, sem dúvida, a mais bela loja da região.

No próximo quarteirão, um dos pontos mais aclamados da avenida: o Alvear Palace Hotel. Construído em 1932, o hotel é considerado um dos melhores do mundo. Seu esplendido hall de entrada e suas suítes são decorados ao estilo francês. A boa notícia é que seus restaurantes e bares estão abertos ao público: 'La Bourgogne', com criações do Chef francês Jean Paul Bondoux, 'L´Orangerie', que aos domingos serve o mais comentado brunch da cidade, e os bares 'Lobby', aberto desde 1932, e 'Cigar', que oferece uma seleção de charutos cubanos, chocolates e licores. Ao lado do hotel está a Galería Promenade, com mais algumas boas opções de restaurantes de cozinha internacional, joalherias e lojas de grife.

A alguns metros, o fim da avenida Alvear é brindado com a Plaza Francia. Ali está o Palais de Glace, Sede de la Dirección Nacional de Bellas Artes desde 1931, sempre com mostras e exposições de arte em cartaz. Do outro lado da praça, a Basílica Nuestra Señora del Pilar, de 1732, é avistada. Uma das mais antigas da cidade, essa igreja traz em sua história uma curiosidade sobre o bairro. O nome Recoleta vem da ala francesa dos Franciscanos conhecida como Padres Recoletos, que escolheu a região para construir uma capela e um mosteiro. Ao lado da igreja está o Centro Cultural Recoleta, com 20 espaços de exposições. Do outro lado, o Cementerio de la Recoleta, inaugurado em 1822. Durante o final de semana, a Plaza Francia abriga uma das mais importantes feiras de arte e artesanato da cidade.

Na divisão das avenidas Libertador e Figueroa Alcorta está o Museo Nacional de Bellas Artes, que ocupa um prédio histórico de 1870 e abriga a maior coleção de arte do país, e o imponente prédio da Facultad de Derecho, de 1949, que tem em seu pátio a Floralis Genérica, inaugurada em 2002 pelo arquiteto argentino Eduardo Catalano. Suas seis pétalas abrem ao amanhecer e fecham ao pôr-do-sol, num espetáculo perfeito para encerrar a caminhada.

Fonte aqui.

1 comentários:

Dymaima disse...

Eu fui de férias a Buenos Aires o ano passado com toda minha família!!!
É uma cidade verdadeiramente charmosa!
Tudo mundo a compara com Paris, e se disse que é o Paris do America do Sul.
Os apartamentos mobiliados Buenos Aires são charmosos e com vistas incríveis!

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